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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Minicarros elétricos ganham adeptos na China

BBC Brasil - Vídeos e Fotos - Minicarros elétricos ganham adeptos na China

Minicarros elétricos ganham adeptos na China

Atualizado em  20 de abril, 2012 - 08:56 (Brasília) 11:56 GMT


Pequenos veículos elétricos estão crescendo em popularidade na China, apesar de sua velocidade chegar a apenas 30 km/h.
Minicarros elétricos
Veículos custam pouco e dispensam carteira de motorista

Milhares de veículos do tipo estão sendo vendidos no país, por preços que variam de US$ 600 a US$ 1.500 (R$ 1.100 a R$ 2.800).
Além do preço baixo, ele ganha adeptos pelo fato de seus usuários não precisarem de carteira de motorista - isso porque o veículo não é classificado como carro pela lei chinesa.
Os benefícios ao meio ambiente, porém, são duvidosos, já que a energia elétrica chinesa provém principalmente da queima de carvão.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Abreu e Lima (PE): energia eólica para luminárias públicas

Abreu e Lima (PE): energia eólica para luminárias públicas - O Eco

Dois modelos de miniturbinas de energia eólica que ficarão no alto de postes públicos no município de Abreu e Lima. Foto: José Jorge Filho
A troca da iluminação pública por lâmpadas mais econômicas é uma tendência, em todo mundo. Em Pernambuco, o município de Abreu e Lima, com menos de cem mil habitantes, anunciou a troca da iluminação hoje feita por lâmpadas de vapor de sódio e mercúrio por LEDs, que utilizarão energia gerada por miniturbinas eólicas. Elas ficarão no alto de pequenas torres com oito metros de altura e irão produzir até 1KVA de energia, suficiente para iluminar 33 lâmpadas.

O sistema foi desenvolvido pelo Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra) (http://www.eubra.org/), com o Centro de Tecnologia Climática Avançada (CTCA). O prefeito de Abreu e Lima, Flávio Gadelha (PMDB-PE), destacou a redução no custo da conta de luz. “Vamos economizar cerca de 70% da conta e desafogar o fornecimento da rede nos horários de pico”, disse ao anunciar o programa na última segunda-feira, dia 19/03/12. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Bicicleta: forma de lazer ou modo de transporte?

Cidades | 07/3/2012 - 10h15

Bicicleta: forma de lazer ou modo de transporte?



por Raquel Rolnik, do Blog da Raquel Rolnik.
Bicicletas 300x199 Bicicleta: forma de lazer ou modo de transporte?
Foto: Javier Carpio
Para quem a bicicleta é meio de transporte cotidiano, é preocupante a quase total ausência de políticas públicas de mobilidade urbana que incluam a bicicleta como modo.
Itaú e Bradesco estão disputando quem poderá instalar um sistema de aluguel de bicicletas na cidade de São Paulo. O Itaú já explora o serviço no Rio de Janeiro, desde outubro do ano passado, em parceria com a prefeitura. Lá o sistema conta com 600 bicicletas, espalhadas em 60 pontos de bairros da zona sul e do centro. Não é muito difícil imaginar onde serão os pontos de aluguel em São Paulo…
Aqui a previsão é de que sejam disponibilizadas entre 3 mil e 5 mil bicicletas, com a primeira hora de uso gratuita, como acontece no Rio. A partir da segunda hora são cobrados R$ 5 por hora, mas não há limites no número de viagens diárias — com um cadastro mensal que custa R$ 10,00 é possível realizar várias viagens diárias desde que cada viagem não ultrapasse 60 minutos e que haja um intervalo de 15 minutos entre cada uma. Para saber mais, clique aqui.
Poder acessar uma bicicleta para percorrer pequenos percursos ao longo do dia é, evidentemente, uma iniciativa muito positiva, mas, tanto pelo baixo volume de bicicletas (para se ter uma ideia, em Paris, um sistema semelhante disponibiliza 20 mil bicicletas em 1.800 estações), quanto pelo custo e modelo (várias pequenas viagens ao longo do dia), o sistema termina sendo voltado muito mais para lazer e turismo do que para as necessidades da população que realmente usa a bicicleta como meio de transporte diário, sobretudo casa-trabalho ou casa-escola.
O mesmo podemos afirmar em relação às iniciativas recentes de implantação de ciclofaixas e ciclovias nas cidades brasileiras — como é o caso das ciclofaixas de domingos e feriados em São Paulo, que hoje conectam parques da zona oeste e sul, ou das ciclovias à beira mar em algumas cidades. Nada contra sua existência, apenas cabe a pergunta: a que ciclistas elas atendem?
O fato é que iniciativas como essas não dão conta da real demanda da população com relação ao transporte não motorizado (a pé e por bicicleta). Segundo a última pesquisa Origem e Destino do metrô, aplicada na Região Metropolitana de São Paulo, esse tipo de deslocamento teve um aumento de 18% entre 1997 e 2007. De acordo com a pesquisa, em 2007, dos 304 mil usuários de bicicleta de São Paulo, 61,5% tinham renda familiar de até R$ 1.520,00. Além disso, 22% das viagens de bicicleta têm por motivo o alto custo da condução e 57%, a pequena distância da viagem – imagino que aí estejam incluídas as milhares de pessoas que se deslocam de bicicleta até a estação de trem e de lá seguem para o trabalho em várias regiões do município ou em cidades da Região Metropolitana, como Suzano, Mauá e outras. Segundo reportagem especial do Jornal da Band esta semana, mais da metade das 60 milhões de bicicletas que existem hoje no país são usadas pela população para ir ao trabalho.
Para essas pessoas, para quem a bicicleta é meio de transporte cotidiano, é preocupante a quase total ausência de políticas públicas de mobilidade urbana que incluam a bicicleta como modo. É importante lembrar que, no ano passado, a Secretaria de Transportes de São Paulo tinha previstos em seu orçamento R$ 15 milhões para o desenvolvimento do Plano de Mobilidade da cidade e nada fez; isso também vale para outras cidades: em Fortaleza, por exemplo, desde 2010 foi aprovada a Lei 9.701, que trata do Sistema Cicloviário, mas suas determinações nunca saíram do papel.
É muito positivo que em nossas cidades estejam crescendo, ainda que lentamente, a quantidade de ciclovias e ciclofaixas e que sistemas de aluguel de bicicletas estejam sendo implementados. Mas essas iniciativas precisam ter foco e prioridade, ou seja, precisam ser parte de políticas de mobilidade que compreendam a bicicleta como meio de transporte utilizado por milhares de pessoas nas cidades.
* Publicado originalmente no site Revista Fórum.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A "rua mais bonita do mundo" é brasileira e cheia de árvores | Envolverde

A "rua mais bonita do mundo" é brasileira e cheia de árvores | Envolverde

Notícias | 24/2/2012 - 11h13

A “rua mais bonita do mundo” é brasileira e cheia de árvores


por Redação EcoD
cidade verde porto alegre 500 A rua mais bonita do mundo é brasileira e cheia de árvores
Umv erdadeiro túnel verde se forma ao longo da rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre. Local quase se tornou estacionamento para veículos.
A Rua Gonçalo de Carvalho (foto abaixo) ganhou fama internacional pela internet. Após ser tema de publicações em dois blogs relacionados às árvores, ela ficou conhecida como a “rua mais bonita do mundo” e agora é ponto turístico para aqueles que visitam Porto Alegre.
Decretada Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental do município em junho de 2006, os seus quase 500 metros de túnel verde ficaram conhecidos não só pelas árvores, mas também pela ação dos moradores locais pela preservação.
Em 2005, quando uma empreiteira queria construir um estacionamento, trocar o paralelepípedo pelo asfalto e derrubar algumas árvores do local, moradores e adminiradores da rua se uniram para impedir o projeto.
Depois da mobilização, o caso foi para a justiça e a construtora desistiu do estacionamento. Pouco tempo depois a rua virou Patrimônio ambiental de Porto Alegre.
De acordo com o portal G1 de notícias, as imobiliárias não conseguem fazer um levamento sobre a valorização da Gonçalo de Carvalho desde que virou um patrimônio. As explicações chegam quase ao mesmo fim: não há quantidade considerável de ofertas na rua.
Os moradores são antigos e alguns até ajudaram a plantar, há mais de 70 anos, as árvores que hoje formam o túnel verde. As tipuanas, espécie maioria na Gonçalo, são altas, com galhos e folhas grandes, que se espalham no alto dos troncos. Eles proporcionam sombra no verão e claridade no inverno, quando praticamente todas as folhas caem.
O amor e respeito como são tratadas pelos moradores, fazem com que se dediquem a elas e se sintam atingidos quando alguém comete um ato de vandalismo. Uma das árvores já foi queimada e pichada, outra pregaram um aviso sobre lixo, mas nenhum sofreu tanto quanto a placa de identificação de Patrimônio Ambiental, que já foi recolocada três vezes.
* Publicado originalmente no EcoD e retirado do Mercado Ético.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A cidade, as pessoas e as chuvas de verão | Envolverde

A cidade, as pessoas e as chuvas de verão | Envolverde

Artigo | 13/2/2012 - 08h06

A cidade, as pessoas e as chuvas de verão


por Reinaldo Canto*
enchentes002 300x207 A cidade, as pessoas e as chuvas de verão Foi um mês de janeiro chuvoso. E como choveu! Os dias totalmente ensolarados puderam ser contados nos dedos em boa parte do território nacional. Como tem sido de praxe, as notícias sobre enchentes e deslizamentos foram acompanhadas das já tradicionais alegações mais do que batidas.
- As águas do rio invadiram as casas e as pistas da avenida!
- A forte chuva foi a responsável pelo desabamento do morro e pelo soterramento das casas!
- A chuva torrencial foi à causadora da enchente que inundou as casas do bairro!
São bordões a que já nos acostumamos e seu conteúdo, de certa maneira, contribui decisivamente para perpetuar essas conhecidas variações de tragédias de verão com perdas de vidas humanas e prejuízos materiais.
As águas do rio não invadem casas e pistas, elas apenas ocupam, salvo exceções, áreas naturais de transbordo. O problema aí é que as casas, construções, avenidas e estradas é que estão a se utilizar de espaços indevidos.
O mesmo vale para morros e montanhas desprovidos de suas vegetações naturais. Neste caso, a chuva é injustamente responsabilizada por tragédias. É apenas mais um caso de ocupação irregular.
O processo acelerado de impermeabilização das cidades é um dos fatores que mais contribui para as enchentes. A chuva cai e a água não sendo capaz de escoar, por consequência, vai se acumulando sobre superfícies asfaltadas e concretadas, provocando as cheias.
Ao insistir com as mesmas justificativas não enfrentamos verdadeiramente esses problemas. Mesmo que se possa constatar, nos últimos anos, o aumento progressivo no volume de chuvas, bem como, períodos de estiagem maiores resultantes do aquecimento global, também é verdade que épocas de chuva e seca são conhecidas e previsíveis.
Nessas ocasiões, são constantemente mencionadas a incompetência, desvios e omissões de nossas autoridades. Obras prometidas que não foram feitas, desleixo na limpeza de rios e córregos, a não retirada de famílias vivendo em áreas de risco, e até mesmo a atitude pouco civilizada das pessoas ao jogar lixo nas ruas e rios. Tudo isto é verdade e merece ser denunciado, mas também é preciso interagir de maneira mais amigável com os fenômenos naturais.
Com a acelerada urbanização nas sociedades modernas assistimos a um processo de distanciamento do que poderíamos chamar de “leis da natureza”. Nada mais, nada menos do que respeitar, entender e conviver com dinâmicas e ciclos do planeta.
Muitas vezes, ao ultrapassar certos limites, ocorrem reações ambientais que poderiam ser evitadas, bastando para isso, apenas, a observação e o conhecimento. A força de reação da natureza não pode ser desprezada como vem acontecendo de maneira progressiva. O poder da água, como guardiã da vida na Terra, deve ser respeitado, mas também deve ser entendido como capaz de tirar essas mesmas vidas. As nossas enchentes e o acidente de Fukushima, no Japão, são exemplares dessa força descomunal e destrutiva.
Temos o direito, mas também o dever de agir para garantir um ar bom para respirar, água pura para beber e alimentos saudáveis que colaborem com a nossa saúde. Para se alcançar esses objetivos, respeitar o meio ambiente é fundamental. Se no passado a meta era “vencer”, hoje é preciso buscar todos os caminhos para viver em harmonia com a natureza e dela extrair todos os benefícios resultantes dessa boa convivência.
As boas intenções
Recentemente, com as melhores intenções, não duvido disso, um grande banco anunciava: “O que a enchente destruiu sozinha, a gente pode reconstruir juntos” e colocou à disposição um número de conta para ajudar as pessoas e famílias prejudicadas pelas chuvas.
Essa é uma típica situação de desconhecimento das leis naturais, conforme descrevi acima. Em primeiro lugar a enchente não destruiu sozinha, o ser humano deu a sua contribuição determinante ao construir em locais inadequados, não permitindo a vazão das águas. Depois, ao falar em reconstruir, que significa fazer da mesma maneira, do mesmo jeito e no mesmo lugar serão cometidos os mesmos erros que levaram a tragédia.
Nesse caso, vale a pena rever valores e estratégias para obter os melhores resultados para o banco e para as pessoas.
* Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na Fappes.
** Publicado originalmente na coluna do autor no site Carta Capital.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Plano diretor poderá ser orientado por carta geotécnica obrigatória - Geodireito

Geodireito - Plano diretor poderá ser orientado por carta geotécnica obrigatória

Data: 9/1/2012

Plano diretor poderá ser orientado por carta geotécnica obrigatória

Fonte: Agência Câmara

Tramita na Câmara projeto que estabelece que a elaboração do plano diretor seja orientada por carta geotécnica, baseada em critérios de segurança geológica, com o objetivo de evitar a ocupação urbana de áreas de risco. De acordo com a proposta (Projeto de Lei 2440/11), do Senado, os municípios cujos planos diretores já tenham sido elaborados sem a orientação da carta geotécnica terão o prazo máximo de dois anos para adaptarem seus respectivos projetos. O projeto altera o Estatuto das Cidades (Lei 10.257/01).

A carta geotécnica é um documento cartográfico com informações sobre as diversas características geológicas e geomorfológicas de um determinado município. O objetivo do documento é facilitar a criação de regras e normas para a ocupação urbana, ao definir critérios de ocupação das áreas ocupáveis e indicar as áreas que não devem ser ocupadas por apresentarem riscos geológicos.

Autor da proposta, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) observa que para evitar tragédias como desmoronamentos de encostas e alagamento de vales e várzeas, os planos diretores instituídos pela Constituição Federal de 1988 devem ancorar-se em conhecimento técnico e prévio das condições geológicas do território municipal, para contribuir com a promoção sustentável do desenvolvimento urbano. Proposta com o mesmo objetivo havia sido apresentada em 2009 pelo ex-senador Flávio Torres, sendo arquivada no fim da legislatura.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; de Desenvolvimento Urbano; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: PL-2440/2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

5 ideias de fazendas verticais para grandes cidades | Atitude Sustentável

5 ideias de fazendas verticais para grandes cidades | Atitude Sustentável

5 ideias de fazendas verticais para grandes cidades

Projetos incentivam a produção de alimentos em larga escala dentro das cidades consumidoras
Por Gisele Eberspacher às 10h25 de 01/12/2011
No mundo de hoje, um dos problemas encontrados é a produção de alimentos com qualidade e a quantidade necessária. A tendência é que essa situação se agrave cada vez mais, principalmente por causa do aumento populacional.
Como uma possível solução, designers e arquitetos começam a pensar em prédios, localizados dentro das grandes cidades, que possam funcionar como fazendas verticais, produzindo alimentos para a população local.
Confira ideias e projetos:
Em formato de piramide, a construção de Eric Ellingsen e Dickson Despommier, o desenho foi feito para a produção de frutas e vegetais. Ainda, o projeto écapaz de abrigar locais para pesca.
Feito por Daniel Toole, o “Whittier Organic Food Center” foi planejado para produção de alimentos orgânicos em larga escala. O projeto é otimizado para utilização de vento, água e energia solar. A alimentação produzida no local seria mais sustentável por não usar produtos químicos ou fertilizantes, além de não contar com a utilização de tratores ou outros veículos que emitam gases do efeito estufa.
O conceito da fazenda modular, dos designers Mechaela Dejdarova e Michal Votuba, permite que cada pedaço seja cultivado por pessoas diferentes. A proposta é que os módulos sejam removíveis e transferíveis.
A proposta da empresa mexicana Xome Arquitectos e construir uma estrutura inspirada em colmeias de abelha, que sejam usadas tanto para moradia como para produção de alimentos. A estrutura prevê a coleta de água da chuva e produção de energia solar.
O “Victorian Eco Innovation Lab” é planejado para a produção de alimentos hidropônicos. A estrutura é otimizada para utilizar a luz solar e o ar externo. Além disso, a construção abrigaria escritórios, cafés e laboratórios.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quarteirão de quase 90 anos resiste à pressão imobiliária em BH


Maurício Lara - Estado de Minas
Publicação: 08/11/2011 06:00 Atualização: 08/11/2011 06:29
Casas estão no coração da cidade, em Lourdes, e resistiram à especulação imobiliária. No mesmo quarteirão não existem prédios, mas do outro lado da rua eles estão cada vez mais altos (Túlio Santos/EM/D.A Press)
Casas estão no coração da cidade, em Lourdes, e resistiram à especulação imobiliária. No mesmo quarteirão não existem prédios, mas do outro lado da rua eles estão cada vez mais altos

A firmeza de Afonsina Leite de Oliveira, que não admitia a hipótese de sair da casa que viu ser construída e onde morou até o fim da vida, ajudou a garantir a sobrevivência de um conjunto de quatro casas em estilo eclético na elegante Avenida Álvares Cabral, no coração de Belo Horizonte, mesmo com toda a pressão imobiliária. Quando era procurada por empresários interessados em levantar arranha-céus no local, ela repetia: “Vou morrer aqui”. Sem saber, estava contribuindo decisivamente para a preservação da memória da cidade. Na casa ao lado, outra resistente era Maria José Rezende Neves, que também não cedeu às pressões.

Em 1994, quando tinha 90 anos, Afonsina ganhou um aliado: o conjunto foi tombado pelo patrimônio histórico municipal, garantindo que os imóveis permanecessem intactos. “Minha mãe não ficou triste com o tombamento”, recorda o engenheiro Carlos Eduardo de Oliveira, que nasceu na casa e até hoje mantém nela seu escritório.

A família Ferreira Leite sempre foi a proprietária de duas das quatro casas. A primeira, com 23 cômodos em três pavimentos, foi erguida em 1924; a segunda, de 1943, está bem na esquina, onde foi originalmente o jardim da residência e hoje abriga uma produtora de vídeo. Logo abaixo vem a casa onde vivia Maria José Neves, imóvel em que está instalado todo o acervo do Centro de Referência Audiovisual (CRAv) da Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto dela é assinado pelo arquiteto Luiz Signorelli, fundador da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A quarta teve como primeiro morador o casal Aloísio Resende Neves e Helena Duarte Ribeiro Neves, mas não pertence mais à família. Nela, funciona hoje uma empresa de medicina e segurança do trabalho que, por determinação da prefeitura, está preparando um projeto para substituição do muro frontal da casa por grades que se assemelhem ao modelo original e presentes nas demais edificações do conjunto.

As quatro casas estão encravadas em um quarteirão triangular formado pelas ruas dos Timbiras e Rio de Janeiro e Avenida Álvares Cabral, e que apresenta uma peculiaridade: não tem prédios altos neste espaço. Carlos Eduardo conta que ele e o irmão chegaram a cogitar de substituir as casas da família por prédios, mas nem eles conseguiram avançar com a ideia. “A hipótese parava na conversa com minha mãe. Ela dizia: ‘Depois que eu morrer, vocês façam o que quiserem’.”

Conservação 

O tombamento resolveu definitivamente a questão. Os dois filhos de Carlos Eduardo, da quarta geração de donos da casa, já cresceram convivendo com a realidade da preservação, mesmo que ela represente gastos para os proprietários. “Não pagamos IPTU, mas a inexistência do imposto não cobre o custo de conservação”, afirma o engenheiro, que está fazendo uma reforma no imóvel, sem alteração da estrutura original e mantendo, inclusive, as cores verde e pérola das paredes e vermelha nas portas e janelas.

Carlos Eduardo conta que a família chegou a encomendar ao arquiteto Éolo Maia um projeto de aproveitamento da área, respeitando o tombamento. A ideia era fincar pilotis e, sobre as casas, a partir de uma grande laje, erguer edifícios. Mas o custo inviabilizou a construção e o projeto nem sequer chegou a ser apresentado à autoridade municipal. “Era um investimento brutalmente caro. Nem sei se seria aprovado pela prefeitura, mas era inviável economicamente”, recorda Carlos.

Nas paredes da casa, emolduradas, estão expostas as plantas originais da edificação, datadas de 4 de outubro de 1923 e assinadas pelo arquiteto Octaviano Lapertosa. Os proprietários pretendem alugar o pavimento térreo, transferindo o escritório para a parte de baixo, mas Carlos Eduardo exige que os inquilinos exerçam uma atividade que ele considere “nobre”. “Não alugo para qualquer um”, avisa.

Os vizinhos hoje são edifícios

Comemorando a alegria de ter nascido naquela região, o engenheiro Carlos Eduardo de Oliveira recorda o tempo em que brincava entre as árvores da avenida ou que caminhava com segurança para a escola. Primeiro, para o Pandiá Calógeras, localizado ao final da Álvares Cabral, e, depois, para o Colégio Estadual Central. Lembra-se também, um a um, dos vizinhos que viviam em casas do outro lado da pista, onde hoje existem prédios em sequência. “Aqui em frente tinha a dona Helena, onde foi o Aloha (choperia), depois tinha José Gerardi. Mais embaixo era o José Pinheiro, uma família com uns 10 filhos”, cita.

Antes de serem erguidos os prédios que hoje predominam na região, do ponto mais alto da casa a vista ia longe. “Se subisse no sótão, a gente avistava o Colégio Loyola e até a Praça Raul Soares.” Com as mudanças que o tempo e o crescimento da cidade foram trazendo, o próprio Carlos Eduardo não quis mais morar no lugar e mudou-se com a família para um condomínio em Nova Lima. Por várias vezes, conta ele, insistiu com dona Afonsina para ir também ou mudar para um apartamento, mas ela não arredou pé. “Tentamos várias vezes tirar minha mãe da casa, porque ela estava morando sozinha. Ela dizia: ‘Não insistam, não vou sair daqui’.”